sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O aborto problema ou solução?



O aborto tornou-se atualmente um tema muitos discutido, seja no campo religioso, político, e como não poderia ser diferente na ciência. Essa avança a cada dia com mais e mais estudos que caracterizam tipos, maneiras, e consequentemente riscos de aborto. Mas como encarar está realidade que insiste em está presente na história da humanidade?

Sabe-se que as praticas abortivas não são ações hodiernas, pelo contrário a indícios verídicos de que no passado muitas mulheres realizavam aborto, sem mesmo saber o que faziam. Há relatos que entre 2737 e 2696 a.C., o imperador chinês Shen Nung gerava receitas médicas que tinham como principal tratamento de parturientes um abortífero oral, provavelmente contendo mercúrio. A grande questão está na seguinte indagação: até que ponto essas práticas são favoráveis a sociedade?

Um dos argumentos dos opositores a legalização do aborto: “diz que o aborto é errado porque o feto tem o direito à vida”, sendo assim é necessário perceber que alguns argumentos trazem em si certas contradições, “o feto tem direito a vida, pois é um ser humano em potencia”, essa vida pertence às diversas dimensões constituintes da existência humana, o que encabula é a seguinte afirmação da constituição federal:

"Toda a pessoa tem direito a que se respeite sua vida. Este direito está protegido pela lei e, em geral, a partir do momento da concepção",

a que direitos estamos falando nessa lei? Direito a dignidade? Respeito? Moradia? Educação? Partimos para uma discussão no âmbito socioeconômico. Sabemos que em nosso país as condições de vida a cada dia encaminhando-se a um estado deplorável, no que diz respeito a desemprego, o nosso país é vice-líder mundial de pessoas desempregadas, um índice mostra uma baixa nos números de pesquisas, contudo olham-se esses resultados de forma otimistas para mascarar uma realidade existente, e quando se fala de desemprego, intrinsecamente, fala-se em falta de renda para o sustento digno de uma família nesses casos podemos destacar a situação de várias famílias que vivem em situações lastimáveis em nossas periferias, cidades de interior, e principalmente no nordeste do nosso país.

A cada dia muitas mulheres compartilhadoras dessa realidade, praticam o aborto como forma de “livrar seus filhos” de conviverem, e sofrerem as mesmas dores vividas por ela. Ainda se pensa nas mães que nem sequer planejaram esses filhos, aqui a gravidez na adolescência, um desafio para as famílias brasileiras, persistente e que é causa de desconforto e desespero em muitos cônjuges que não sabem como agir diante desse “problema”. Vale lembrar que um discurso político de que a gravidez na adolescência pode ser evitada através do uso se preservativo, está cada vez mais enfraquecido, pois muitas jovens que não tem contato com nenhum tipo de meio de comunicação ficam impedidas de receber uma informação que poderia evitar algo indesejado.

A Assessoria de Comunicação do SINDELPO (Sindicato dos Delegados de Policia do Espírito Santo) publicou no site http://www.sindelpo.com.br que: só neste ano, 1.662 casos de aborto foram registrados no Espírito Santo, numero monstruoso nos meses vésperas do encerramento do ano, que nos leva a pensar: que causas levaram a isto? Em um estado que nós imaginamos que toda a população tem contato com meios de comunicação, campanhas, pesquisas, orientações que colaboram para a não realização do aborto têm tantos casos existentes, dentre esses podendo existir alguns que não necessitavam acontecer de maneira imatura e inconseqüente, o que nós podemos dizer da realidade apresentada acima.

Em nosso país estamos caminhados a fincar pontos de vista alienadores, como o de que aborto é pecado, partindo de um pressuposto religioso, abortar é pecado, mas dar péssimas condições para um ser humano viver o que seria?

Onde se encontra no discurso dos revolucionários religioso contra a legalização do aborto, a compaixão pela situação da vida que irá surgir? Falam de homicídio e julgam como caso de excomunhão. Vemos isso quando o Papa Sisto V publica a bula Effraenatam, que condena à excomunhão todos os que provocarem o aborto, sem fazer distinção entre feto animado ou não animado, antes disto a decisão surgiu por uma afirmação de Santo Agostinho faz a seguinte afirmação: não é homicida quem provoca o aborto antes da infusão da alma no corpo, mesmo sendo contrário ao aborto tenta abraçar uma posição mais tolerante alicerçada na teoria da animação diferida, que faz atrasar o aparecimento da alma em relação ao momento da concepção. Sugerindo-se que esta surge nos rapazes aos 40 dias e nas raparigas aos 80.

Está questão atravessa os séculos e chega a até nós de forma muito complicada de se abordar, a quem abrace a movimento a favor do aborto como existem muitos movimentos feministas que tem como argumento “o corpo é da mulher e ela faz o que quer”. A quem seja contra trazendo além dos discursos do direito a vida, foca a visão de que essa pratica seria “uma ofensa a dignidade humana” e mais “uma violência a vida da mulher”.

Seja como for é necessário olhar para quem está praticando os abortos e quais as causas, chega de discursos pautados sobre regras e normas estabelecidas por aqueles que querem simplesmente exterminar algo que já está tão impregnado na sociedade, tendo como fundamento argumentos, religiosos, políticos, econômicos ou até mesmo científicos. O aborto é um assunto que se deve ser visto de maneira cautelosa e concomitantemente cética, no que diz respeito a juízo de valor, estudando e revisando cada caso peculiarmente.

Se a sociedade se encaminhar a seguir um ponto de vista ortodoxo idealizador, será cada vez mais difícil tratar com sabedoria e responsabilidade de um assunto tão marcado em nosso cotidiano, que necessita de uma visão ampla, consciente e responsável para atender de maneira eficaz aos apelos dos indivíduos participantes dessa situação que tanto incomoda a suas vidas.

Alisson Paulo Alves Gomes.

Licenciando em Filosofia pelo,

Instituto Santo Tomás de Aquino.


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